• Por Roseli R. Laranja - Psicóloga e Mediadora

Adoção Filhos do Coração


Como é possível se preparar para a adoção?

O que é preciso ter em mente ao adotar uma criança?

Como lidar com a idealização?

Como lidar com a questão da adoção com a família?

Adoção tardia, quais são os principais desafios?

Como a família deve se preparar?

Como se deve lidar com o passado da criança adotada?

Contar desde cedo sobre a adoção é importante?

Na necessidade da preservação da existência do ser humano e diante do sentimento da falta e da busca pela satisfação desta, da possibilidade de dar e receber pode existir o desejo pela continuidade de sua essência e de transmitir todo conteúdo de aprendizado de vida.E ainda, na necessidade da troca afetiva e de poder estabelecer vínculos e laços de acolhimento e atenção compartilhando assim o Amor Incondicional, pode aparecer o desejo da maternidade e ou paternidade, o desejo da continuidade de sua existência na criação de outro ser, constituindo então o desejo de gerar um filho e estabelecer sua própria família.

Do ponto de vista psicológico se preparar para adoção requer identificar os níveis de ansiedade do momento, observando suas expectativas que abrangem medos e desejos. A Ansiedade de gerar um filho biológico e na dificuldade quer seja do ponto de vista fisiológico ou emocional, a escolha pela adoção passa a ser um caminho satisfatório diante da vivência desses sentimentos de impotência.

Adotar uma criança requer estar preparado para olhar o outro e não apenas a si mesmo, devendo os adotantes terem atenção quando existe um Eu Egocêntrico, que busca satisfação própria desejando preencher uma falta em si mesmo com a pratica da adoção esquecendo que ao adotar existe um ser humano repleto de sentimentos e emoções fragilizado pelo abandono e ou rejeição desejando e necessitando receber acolhimento afetivo.

Idealizar também faz parte da existência para motivar o ser a prosseguir sua vida, e possibilitar a realização de seus desejos paralelamente, embora seja importante estar consciente da realidade da vida no contexto de que viver em uma sociedade requer educar com a responsabilidade do saber de seus direitos, mas que também existem deveres e regras de convivência abrangendo ainda responsabilidades sociais e financeiras além da afetiva, não basta desejar oferecer amor, carinho, apoio e atenção que consideramos ser imprescindível para o desenvolvimento da personalidade da criança, cabe também nutrir e prover esta criança na sua jornada educacional, social, cultural e de lazer para que possa no futuro se constituir em um cidadão equilibrado em seu emocional e profissional.

Aprender a conviver em família é como aprender a brincar em números impares ou ainda exercitar a matemática, quer dizer aprender a somar ou multiplicar, subtrair ou dividir mais um como membro da família. Enquanto dupla um pode dar atenção ao outro sem interferências, ao surgir uma terceira pessoa requer estabelecer uma atenção diferenciada de forma a exercitar a inserção de uma outra visão no contexto da relação sujeita a divergências e discussões. Praticar essa comunicação pode ser difícil devendo ter cautela para que não ocorram conflitos e possíveis sentimentos de rejeição. A família deve refletir e conversar sobre a escolha da adoção a fim de avaliar singularmente sentimentos e emoções para redefini-los em comum acordo enquanto grupo. Preparar não somente o espaço geográfico familiar, mas também o espaço histórico, o espaço individual e interno que compreende o psicológico, o emocional de cada membro da família. Além de se praticar o Amor Incondicional deve-se praticar os limites necessários no contexto da educação dentro de um padrão de igualdade aos filhos biológicos. Vale ainda lembrar que cada filho tem um perfil de comportamento onde o tratamento pode ocorrer de forma diferenciada, mas ao educar uma família constitui um padrão de valores que podem ser transmitidos igualmente a todos.

Podemos comparar uma adoção tardia ao momento em que iniciamos uma amizade, onde se estabelece o desejo e a curiosidade em conhecer um ao outro, quando acontece a troca de informações sobre a dinâmica de vida de ambos. Lembrando-se de conduzir a ansiedade de se constituir um vínculo de forma que esse processo possa ocorrer gradativamente, estabelecendo limites para respeitar a individualidade procurando não invadir a privacidade dos membros da família e do adotado.

A própria palavra já diz…passado…procurar viver o presente para que essa criança possa reconstruir uma nova história de passado e de futuro nesse momento presente. Vale lembrar que uma história de vida não se apaga totalmente, que nosso cérebro tem o registro de memórias passadas, devendo estas serem bem compreendidas e respeitadas, motivo pelo qual se faz importante contar sobre a adoção desde o primeiro momento, sendo relevante saber conduzir e abordar o assunto de forma afetiva e acolhedora para evitar sentimentos futuros de rejeição e de abandono.

Vantagens e Desafios

Adotar é praticar a maternidade e ou paternidade, é o exercício do Amor Incondicional, aprender a doar-se sem esperar retorno, é desenvolver a maturidade, é se tornar mais Humanista, é estabelecer uma troca afetiva, é proporcionar a uma criança e ou adolescente a possibilidade de ser um cidadão pleno em sua vida futura.

Talvez “superar o lado Egocêntrico” que cada ser humano tem dentro de si e poder estabelecer vínculo afetivo incondicional ao passo que também requer exercitar a ”Preservação da Individualidade” de cada membro da família ao estabelecer nas relações diárias uma troca de experiência contínua.

Para crescer e frutificar, uma planta necessita de água, luz e de vez em quando,

Um fertilizante que garanta a revitalização da raiz e folhas.

Isso engloba o aspecto físico, mental, espiritual e emocional.

Perceber e compartilhar as mudanças que ocorrem em você, trata-se de um exercício diário.

A vida oferece oportunidades e possibilidades

A psicoterapia é uma oportunidade para

Possibilitar a compreensão de sentimentos e emoções

Proporcionar mudanças na dinâmica pessoal, social, familiar e trabalho.

Entrevista realizada por Ana Paula Sousa Para a Revista Unimed


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