• Roseli R. Laranja

O Jovem e a Inclusão


– Quando falamos de cidadania, até que ponto incluímos quem realmente precisa?

Quando falamos de cidadania, observamos o indivíduo na sua individualidade e singularidade e ainda a existência de seus direitos e deveres, e a compreensão que este tem do assunto. Perceber como o ser humano interage com seu meio em que vive, nas suas relações sociais e familiares, quando se trata de usufruir, cobrar, cumprir, respeitar enfim buscar informações para poder entender as normas e regras existentes para que se possa encontrar um nível de convivência satisfatório.

Entender o porquê da existência de normas e regras é de extrema relevância para que possa aceitá-las. A sua ausência poderia ocasionar o caos, a desorganização, a desordem, a falta de respeito, a perda de controle dos limites, de perceber até onde posso ir para não prejudicar o outro ou a mim mesmo. Necessitamos de regras para determinar limites, isto é, poder facilitar de forma que se estabeleça uma ordenação, um seguimento, um caminho, para poder organizar e não ter a sensação de estar perdido. Possibilitar um encontro dos seus pensamentos e ainda, aprender a também perceber que o outro participa desse mesmo movimento de existir e interagir no mundo.

Cada pessoa tem seu tempo interno, de perceber, de captar, de entender, de interagir sobre um assunto. Toda ação tem uma reação, e cada um reage dentro do tempo que pode, que é capaz, que está sintonizado. Cada um tem uma energia vital própria, individual, singular, na sua diferença, onde temos que aprender a respeitá-la, pois faz parte de sua característica de personalidade. Aprender a conviver com as diferenças se trata de um exercício diário que faz parte das possibilidades da boa convivência. Quando falamos de Inclusão de quem realmente precisa, necessitamos ter uma visão mais ampla sobre o assunto, onde temos pessoas especiais dentro de cada característica própria e especial.

Temos que perceber que cada um de nós é diferente dentro de sua característica própria, temos que perceber que temos nossa limitação dentro da nossa individualidade, da nossa singularidade. Temos que observar os “dois lados da moeda” para poder perceber onde está a diferença e a limitação. Muitas vezes, o deficiente físico é menos limitado do que propriamente a pessoa que tem seu físico esculpido, mas que pode apresentar uma limitação singular que não é perceptiva aos olhos.

Portanto, temos que ver o indivíduo como um todo, corpo e mente, um ser capaz dentro de qualquer tipo de limitação. Um ser pensante que necessita reagir. Toda ação tem reação, e no movimento da ação e reação temos que sair da acomodação, e fazer acontecer. O ser humano está acomodado em sua dinâmica de vida, e alterar sua rotina poderá ter que dispor de um tempo maior que implica em trabalho, em um esforço maior, ficando mais fácil deixar como está e responsabilizar o outro por não estar acontecendo as mudanças necessárias.

E ainda, quando falamos de cidadania, podemos perceber a responsabilidade do Estado em determinados processos, mas temos que também perceber a responsabilidade singular e individual de cada ser humano. As mudanças só poderão acontecer com a participação do indivíduo como figurante principal, entendendo que esse processo ocorre de forma gradual com paciência, confiança, perseverança e principalmente acreditar para possibilitar as transformações.

Para isso, há a necessidade inicial de existir o interesse somado à curiosidade por parte de cada um.

O ser humano necessita ser estimulado em seu aprendizado para encontrar motivação e para o prazer pela busca de informações de forma natural. Isso irá lhe possibilitar ser mais participativo em sua dinâmica de vida social, e poder entender que também faz parte do movimento dos acontecimentos de cidadania enquanto direitos e deveres. Esse comportamento participativo pode ser visto como um desafio que o ser humano precisa entender que poderá desenvolvê-lo quando descobrir que é um ser pensante capaz de ser criativo e obter conquistas. E se dentro de um processo educativo sair de sua acomodação e ir para atuação, poderá fazer parte das transformações e conquistas enquanto cidadão.

– As escolas estão preparadas para a inclusão de adolescentes e jovens com alguma necessidade especial?

Pais, alunos, professores, direção, colaboradores podem não estar bem informados sobre seus direitos e deveres, enquanto cidadania. Podem estar acomodados em sua dinâmica de vida, não reivindicando muitas vezes seu espaço de direito.

Motivo que, em algumas situações, responsabilizam o Estado, ficando desmotivados, consequentemente podem deixar de buscar informações mais atualizadas, de enfrentar os desafios, desistindo de atuar para novas conquistas. “É preciso incluir o professor, principalmente incluir a população antes mesmo de incluir o aluno”. O Medo do desconhecido faz com que as escolas encontrem dificuldade de se preparar como se fosse algo muito difícil quase que impossível. Como já foi descrito anteriormente a acomodação faz parte do comportamento do indivíduo, porque a acomodação dá a sensação de segurança, embora não proporcione mudanças.

Sentimentos de impotência, onipotência, podem surgir diante do desconhecido, do novo. Medo de desafios mais complexos, de julgamentos, faz com que o ser humano paralise e não possibilite a criação de novas oportunidades diante do diferente. A tendência do ser humano é buscar a credibilidade, aceitação, aprovação, reconhecimento. Construir indivíduos pensantes (pensamentos críticos) pode acelerar a percepção daquilo que não estão vendo. Desenvolver os órgãos do sentido, principalmente o ato de ouvir, aprender a ouvir com emoção.

“A dúvida é o princípio da sabedoria” (Durant 1996).

Educar é provocar a inteligência, é a arte dos desafios. “Temos que formar pensadores e não repetidores de informações” (Augusto Cury). Temos que perceber que o tempo todo estamos vivenciando os opostos para aprender que existem as diferenças e desenvolver a sua compreensão faz parte do desafio para o encontro do equilíbrio. “A Educação será Satisfatória quando existir Alunos Felizes e Professores Valorizados”.

– De que maneira a inclusão digital ajuda na inclusão social de adolescentes com necessidades especiais?

Em primeiro lugar tem que se vencer o medo de ser substituído, desmistificar que o computador irá substituí-lo. Perceber que o computador poderá ser mais uma ferramenta de trabalho para poder alcançar objetivos. O computador é uma ferramenta que oferece estímulos diversificados: visuais, táteis e auditivos possibilitando a motivação para o conhecimento. Oferece conteúdos informativos também diversificados que bem explorados e organizados poderão ser úteis para o entendimento e a compreensão de muitas dúvidas, facilitando ao indivíduo estar atualizado. Também, facilita e auxilia quando existe uma dificuldade motora, podendo estimular habilidades dentro de um contexto de limites próprio. Poderá também possibilitar facilidades para o ensino onde irá atuar na prevenção do stress, tanto para o educador quanto para o educando.

Todos nós somos sublimados na nossa doença, esquecendo-se que temos que descobrir nossas Habilidades antes de identificar as Dificuldades. Todas as crianças necessitam de igualdade de oportunidades e o computador poderá ser uma ferramenta para a essa conquista. O conhecimento surge do questionamento, da curiosidade, da dúvida, portanto devemos explorar melhor essa nova ferramenta de possibilidades, como uma visão positiva, para que possamos proporcionar facilidades para o desenvolvimento da humanidade. Lembrem-se, os opostos existem o tempo todo, positivo e negativo são vizinhos e temos que facilitar, estimular e motivar o positivo e aprender com o negativo. Aprender a dar significância ao que lhe é devido de significado.

– Ainda existe muito preconceito, principalmente na escola?

A Falta de Informação, do entendimento, impossibilita de atualizar o significado da situação, de transformar valores, e principalmente o medo da mudança dos conceitos impede de desenvolver seu potencial criativo. Estamos ainda sob os cuidados de uma educação cultural obsoleta e patriarcal. A cada geração surgem novas formas de reivindicação para a mudança através da constituição de tribos diferentes formadas pelos jovens. O diferente chama atenção, e se estiver fora dos padrões de valores que aprendemos que tem que ser, será visto como estranho, e o estranho é o desconhecido, o desconhecido gera medo, e por medo evito, me afasto, não me aproximo. Os jovens buscam essa transformação o tempo todo. Contestam os conceitos e valores sociais através de um determinado comportamento rebelde.

Não somente o deficiente físico, o negro, o deficiente visual, auditivo, a criança com dificuldades escolares, enfim, até aquela jovem que tem uma beleza irradiante, é o diferente, e o diferente de um modo geral sofre preconceito. Temos que saber ouvir a alma para definir a coragem, a coragem de poder enfrentar nossos sentimentos e emoções, entender o diferente, o estranho, o desconhecido, e possibilitar a conquista para o conhecimento, para a descoberta do novo e com isso reformular nossos conceitos para que possamos reconstruir valores e vencer os preconceitos. Para obter mais informações sobre Inclusão Social sugiro que tomem conhecimento da DECLARAÇÃO DE SALAMANCA, que trata de princípios políticos e prática na área das Necessidades Educativas Especiais.

Trata de um documento criado em 10/06/94, na Espanha – em sessão plenária de encerramento da Conferência Mundial sobre Educação Especial, para constituir um Guia para os Estados Membros e para Organizações Governamentais e não Governamentais. Sua Origem pode ser atribuída aos Movimentos de Direitos Humanos e Desinstitucionalização Manicomial que surgiram a partir das décadas de 60 e 70. Temos também Convenção de Direitos da Criança (1988), e Declaração sobre Educação para Todos (1990). Elaborado com o objetivo de fornecer diretrizes básicas para a formulação e reforma de políticas e sistemas educacionais de acordo com o movimento de inclusão social, inclusive incluir crianças que estejam experimentando dificuldades temporárias ou permanentes na escola.

Segue abaixo algumas informações relevantes:

“Toda criança tem direito fundamental à educação e deve ser dada a oportunidade de atingir e manter o nível adequado de aprendizagem”;

“Toda criança possui características, interesses, habilidades e necessidades de aprendizagem que são únicas”.

“Os pais têm o direito inerente de ser consultados sobre a forma de educação que melhor se adapte às necessidades, circunstâncias e aspirações dos seus filhos”.

“As crianças precisam receber curriculum adaptado.”

“Toda criança tem o direito legal de ter um interprete dentro da sala de aula.”

“É o papel da Escola Educar e Oferecer condições dentro do Ensino Pedagógico, saber suas necessidades e oferecer encaminhamento dentro da área da saúde”.

Participação do Programa “Na Rua” TV JBTV – apresentador Leo

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