• Roseli R. Laranja

O Universo do Artista e o Suicídio


Homenagem aos “Terapeutas da Arte para o Povo” em suas jornadas de Vida e Morte.

Elis Regina, Robin Williams, Amy Winehouse, Chorão, Champignon, Walmor Chagas, Phillip Seymour Hoffman, Fausto Fanti, Vincent Van Gogh, Marylin Monroe, Michael Jackson, Ernest Hemingway, Virginia Woolf, Kurt Cobain, Maria Callas, Elvis Presley e Heath Ledger.

O Universo Artístico pode ser observado como uma mensagem de realidade ou irrealidade de vida e que também

pode ser associado a um “Trabalho Terapêutico” que viabiliza a acessibilidade infinita de um público diversificado que acompanha com sensibilidade tudo o que é transmitido pela arte e seus respectivos artistas, ou seja em suas

representações diversas: música, esculturas, pinturas, teatro, cinema, circo...

Dentro de um comparativo geográfico na tendência do ato suicida desse universo o índice de americanos parece ter

um impacto maior considerando a expansão do sucesso em que a fama atinge no mundo. Parece que esses artistas se deparam com limitações ainda mais extensas do ir e vir como uma pessoa comum ficando privados de usufruir de sua liberdade com mais restrições. Já os brasileiros e artistas de demais países não alcançam esse universo com tamanha explosão possibilitando a estes reestruturar-se na dinâmica de vida pessoal e familiar em outras regiões

proporcionando uma estabilidade de moradia com mais possibilidades de escolhas para essa caminhada mais livre

longe dos assédios.

Fama tem um preço oculto, de sacrifícios e dedicações para ao longo de uma jornada ganhar crédito e visibilidade.

Requer a prática de muita exposição e vivenciar uma pressão que muitas vezes intensa diante de obter uma

performance perfeita, dentro de um contexto dramático ou humorístico hipersensibilizado. Abdicar de sua família e

amigos para seguir um sonho, um desejo dentro de um caminho desconhecido, onde estar acompanhado nem sempre poderá preencher um vazio da distância dos entes queridos, momentos de solidão pode fazer parte de aprender a olhar para dentro de si mesmo como um mergulhar profundo de reflexão. Nesse caminho vivencia expectativas e angústias, como se estivesse em uma montanha russa gigante quase que interminável até poder sentir o chão, embora quando o sinta ainda continue vivenciando a montanha russa como uma sensação infinita de ansiedade, tendo que ter o cuidado de aprender a conduzir com harmonia essa instabilidade constante.

Enquanto que na ansiedade projetamos para os desejos e uma possível frustração, na depressão deparamos com a

realidade como ela se mostra de fato, e se essa visão estiver em uma sintonia negativista a ponto de gerar um

sofrimento profundo, o risco eminente para um ato suicida pode ser fatal, momento em que se deve ter um olhar

para investir em uma análise com um tratamento psicológico adequado e em casos mais severos deve estar

acompanhado de um tratamento médico.

Representar personagens com caricaturas que possam sugerir características variáveis, intensas ou apáticas, que

possam revelar a expressão de uma face e as impressões de uma índole, através de gestos, vícios e hábitos

particulares de um indivíduo, requer um alto desempenho e excentricidade, potencializadas por meio de

interpretação de papéis e de suas estórias estudadas em detalhes por meio de laboratórios de pesquisas de campo.

Ser capaz de se traduzir em um ser que não lhe pertence, tendo como arte internalizar uma figura que possa roubar

sua identidade mesmo que temporariamente, deixando de ser quem é para ser um alguém significativo dentro de um

contexto histórico em que o público possa se projetar, ficando por um período mergulhado em profundezas

desconhecidas, espelhando as neuroses ou psicoses humanas.

Nasce no artista a “Estrela” que sugere uma necessidade de “Brilhar” como próprio de sua “Natureza”, conquistando o “Sucesso”, que se não bem conduzido na relação interpessoal e social, pode levar ao sofrimento e à angustia, se em algum momento se deparar com um sentimento de vazio e de solidão mesmo que rodeado de pessoas.

É relevante aprender administrar o preço da Fama que pode vir acompanhado de preocupações, assédios,

preconceitos do tipo ser visto como alguém que gosta de aparecer, carente de atenção, vaidoso, egocêntrico, instável, não é o que mostra no palco, usuário de drogas lícitas e ilícitas. Enfim, desenvolver a tolerância a frustração para enfrentar tais pressões se faz imprescindível para seguir em frente sem perder a harmonia de suas expectativas.

Do ponto de vista psicológico e humanista, transtornos mentais como transtornos de humor, de personalidade, de

ansiedade, depressão, são passíveis em qualquer ser humano, quer seja de fundo genético ou não, basta estar na vida para sentir, vivenciar sensações intensas como uma roda gigante, dentro de uma “Gestalt como uma tentativa de entender regras por trás da capacidade de adquirir e manter percepções significativas em um mundo aparentemente caótico onde as percepções são produtos de interações complexas entre vários estímulos. A Teoria da Gestalt, em sua proposta permite a desconstrução de toda a situação em seus elementos.”

O Seguimento artístico pode ser um facilitador para reconstruir imagens que possam estar flutuantes em um universo

interior, possibilitando um canal transformativo de elementos não compreendidos em sua expressão

comportamental, caminhando para externalizar em um entendimento global, por meio da construção das partes

imaginárias, como a expressão criativa originária da impressão de um mundo interior.

Alguns transtornos podem passar uma mensagem de comportamentos intensos, eufóricos, grandiosos, superficiais,

disfórico, e que precisam encontrar uma maneira de interagir e extravasar diante das sensações que carregam quando em situações de conflitos, sejam em seus momentos de alegria, de apatia ou de agressividade. Esta perspectiva pode aparecer no meio artístico. Talvez uma das características que possa estar presente é a associação de um comportamento impulsivo que conduz a situações de risco de morte, quando levada pelo impulso do desejo de vivenciar aventuras extremadas como quando utiliza carros em alta velocidade ou abuso de drogas, como forma de aliviar as emoções extremadas que os aflige.

Questionável o fato de quando um comportamento suicida possa estar fazendo uso da coragem ou da covardia, da

fraqueza ou da fragilidade que o alimenta, estar sob a sombra de delírios, assombrado por seus conflitos e angústias, desistindo da vida ou se acidentando na morte, existe uma motivação, uma tomada de decisão ou apenas acontece o inevitável diante de uma inconsequência, que o faz silenciar em uma escolha fugitiva ou acreditar ser uma viagem espetaculosa, como se vivenciasse estar no palco da vida interpretando e incorporando a morte, praticando uma ação insana diante dos olhos do público que sempre o aplaudiu. Como se nesse momento parecesse existir um desejo de passar uma mensagem de também ser “Humano com uma História de Vida” e não apenas o “Personagem da Estória Narrada”.

Roseli Laranja


0 visualização

ZONA SUL - SP

Av. Bosque da Saúde, 1061 - sala 112

Ed. Stella Offices

Jardim / Vila da Saúde

Contato Whatsapp Psiconergia Clínica | Zona Sul SP