• Por Roseli R. Laranja - Psicóloga e Mediadora

Dependência do Carro


Como o uso excessivo do carro pode afetar a saúde e a percepção de si mesmo”

Quais são os símbolos pessoais e sociais por trás do carro?

Posso desenvolver uma relação de dependência emocional com meu carro?

Essa relação com o carro pode mascarar alguma carência?

Esse tipo de dependência pode estar associado a ansiedade, baixa autoestima, depressão...?

A terapia pode ser considerada uma boa solução?

Por que o carro exerce tanta atração sobre um número tão grande de pessoas?

Por que é tão difícil abrir mão de certas comodidades?

Como dispensar o carro para percorrer pequenas distâncias?

Que pequenas atitudes podem ser tomadas no dia a dia para diminuir o uso do automóvel?

Em busca de um dia a dia mais produtivo e seguro percebe-se que a valorização do tempo tem grande relevância nos dias de hoje. O ser humano tem uma tendência a desenvolver hábitos através de comportamentos que lhe remetem ao conforto e estabilidade, associado às suas necessidades diárias procura buscar agilidade diante dos compromissos diversificados que o mundo moderno oferece.

Com esse pensamento as pessoas tendem a fazer uso do automóvel sob vínculos de dependências físicas e emocionais, podendo correr riscos prejudiciais à sua saúde fisiopsíquica. A dependência emocional pode ocorrer com qualquer tipo de objeto, quando conduzimos a vida no automático. O que se deve avaliar é qual o significado que este objeto representa na vida. O que está desejando ou idealizando por meio deste objeto. Partindo do ponto de vista que o ser humano está sempre em busca de algo podemos entender o significado da palavra carência como algo que pode estar faltando, que se deseja, que se queira completar, que se idealiza, que se necessita. Quando a carência se torna intensa podem surgir vínculos de dependências neuróticas, dentro do quadro diagnóstico de transtornos de ansiedade, como o tipo obsessivo compulsivo. Já uma carência natural onde a pessoa se mobilize para ir em busca de preencher e realizar seus anseios, poderá proporcionar transformações em sua dinâmica de vida possibilitando a construção de seus ideais com resultados satisfatórios.

Já uma relação de dependência emocional por um automóvel pode talvez mascarar uma carência de poder, pois simbolicamente um automóvel é uma ferramenta de poder, de status, onde o ser humano é quem supostamente controla e direciona. Podendo-se essa ferramenta ser comparada a uma arma, caso não seja bem controlada. Se definirmos o significado de ansiedade dentro de um grau satisfatório, iremos nos referir a ela como anseios, desejos, ideais... E ainda, se associarmos que toda ação vem acompanhada de uma reação, esse movimento enquanto lei da física faz com que as pessoas se mobilizem para que seus desejos aconteçam. Mas, se essas pessoas pensarem de forma negativa e ficarem com medo de que estes desejos possam ser impedidos de acontecerem por qualquer motivo dentro de sua imaginação, a esse tipo de sentimento podemos definir como ”distúrbios de ansiedade”, que num processo contínuo poderá gerar uma baixa autoestima.

Assim sendo se para a realização destes desejos for necessária a utilização do automóvel, poderá ser provável a existência de transtornos de ansiedade e outros transtornos de neurose. A psicoterapia poderá ajudar a entender que tipo de vínculo negativo e de projeção a pessoa está vivenciando e quais caminhos alternativos não está conseguindo visualizar em virtude de seu estado ansiedade gerado pela tensão emocional. Nos quadros de transtornos de ansiedade é importante as pessoas aprenderem a fazer uma leitura Físio-Psíquica (corporal e emocional) associada ao exercício de relaxamento, para possibilitar o desenvolvimento do seu potencial criativo e ainda proporcionar encontrar caminhos alternativos em sua dinâmica do dia a dia.

É importante lembrar que a condição de condução do país é precária, fazendo com que a população invista em recursos que facilitem sua locomoção com o objetivo de que possibilite um acesso de prática mais saudável. Enquanto símbolo social psíquico temos o contexto da vaidade e da necessidade. Vaidade enquanto condição de status, de poder e de Necessidade para facilitar e agilizar as atividades do dia a dia.

Conscientização: do motivo que levou a adquirir o objeto e de como estão fazendo sua utilização no momento.

Administração do Tempo: averiguarem se existe um grau de exagero frente a sua utilização, procurando observar se conseguem administrar tempo adequadamente e praticar atividades físicas desde as pequenas caminhadas. Administração dos Compromissos x Imprevistos: Aprender a administrar os compromissos diários, evitando cobranças exageradas e consequentemente um comportamento estressante em função do tempo e as limitações que surgem nos imprevistos do dia a dia.

Do tipo: tenho que fazer “isso” até o final do dia. Questionar se é ansiedade ou necessidade, prevenindo assim a possibilidade de um stress.

Associação do Objeto x Arma: Lembrar que se associarmos o automóvel a uma arma, mal utilizada, o seu condutor poderá ser vítima de sua própria arma. Em situações de Stresse sempre é bom refletir e evitar a condução do veículo quando mente e corpo encontram-se debilitados.

Considerações Finais

A vida oferece oportunidades e possibilidades diárias, procure perceber como você está interagindo em seu contexto de dinâmica sócio, econômico, cultural, pessoal, profissional e familiar.

Observe se você está vivendo ou se está correndo. Se estiver correndo poderá estar vivenciando a “Síndrome da Pressa” ou “Transtorno de Ansiedade”. Existe Qualidade de Vida ou Quantidade de Atividades? Que nível de estresse diário você está se submetendo? Se por ventura estiver correndo em demasia, tente descobrir se está fugindo do que ou de quem?

Perceber que uma simples caminhada poderá fazer com que você entre em contato consigo mesmo, com seus órgãos do sentido, onde num ritmo mais lento poderá proporcionar o desenvolvimento de sua sensibilidade e percepção auditiva, olfativa, visual e corporal. Perceber ainda detalhes do seu pequeno universo de moradia que em virtude da pressa não enxergava o seu valor, como pássaros, árvores, cores, parques, um contato amigo através de um simples cumprimento. Perceber que não está tão sozinho quanto que em alguns momentos possa vir a se sentir. Lembre-se de que necessita respirar de forma equilibrada para que seus órgãos possam funcionar em harmonia.

Questionar se você “vive pra morrer” ou “morre pra viver”. Orientar “corpo e mente” para que estejam integrados dentro de um grau de equilíbrio a fim de que você possa viver os prazeres que a vida lhe oferece. Entender que o “Movimento Corporal” proporciona uma dinâmica de vida fisiopsíquica mais saudável.

Entrevista realizada em 11/10/2007 publicão no site www.xenicare.com.br

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