• Por Roseli R. Laranja - Psicóloga e Mediadora

Nosso Propósito e nossas Ancestralidades


Hoje acordei pensando sobre o propósito de nossa existência de vida e em um contexto familiar, e como forma de sentir que algo pode ser feito, optei por escrever algumas observações sobre os emaranhados de nossas ancestralidades, famílias de origem, e nossas atuais famílias constituídas.


Considero a busca por conhecimento e informações necessidade imprescindível para o entendimento no estudo sobre convivências familiares, e durante esse período em minha trajetória além da prática da Psicologia, tive a oportunidade de acrescentar saberes com os Cursos de Mediação e Conciliação Jurídica, Familiar e Empresarial, Direito Sistêmico,

Praticas Integrativas e Colaborativas, Constelações Familiares e Práticas dos Processos Circulares; atividades essas que estão sendo administradas em espaços profissionais e em Movimentos de Rede de Ensino, do Judiciário objetivando atender uma demanda na “Justiça Restaurativa” abrangendo “Violência Doméstica, de Gênero, da Saúde”. Oportunidades estas de aprendizados que vem ampliando as percepções do olhar pessoal, familiar e profissional principalmente entender toda a dinâmica de conflitos entre famílias, inclusive os emaranhados em que estamos e fazemos parte dessa nossa ancestralidade.


Pesquisas revelam o quanto “afetados emocionalmente” podemos ficar diante do “afeto não retribuído”, da atenção não praticada, do acolhimento não compreendido, diante do que ouvimos e sentimos por anos, diante das sublimações, das somatizações que sofremos em nossas existências por centenas e milhares de séculos, ao passar por toda essa experiência conflitante, quiça em um passando ainda presente, nas histórias de famílias, entre pai, mãe, irmãos, primos, netos, avos, bisavós, tataravós... de nossas famílias de origem e ancestralidade.

Compreensivo os filhos terem que seguir sua vida a procura de algo mais, como seres humanos que são, constituir novos relacionamentos quer seja de amizades ou de uma nova família dentro de suas escolhas de relacionamentos, de uma união conjugal onde existe a necessidade do humano de estar agregado a novas famílias, para a construção de

novos aprendizados de crenças, valores e cultura, e com essa perspectiva inconsciente ou consciente de busca por preencher um sentimento de possibilitar também ser amparado por outras famílias que estejam idealizando, quando através desse movimento se processa a evolução da humanidade dentro dessa intenção afetiva das relações sociais e familiares.

Alguns filhos tendem a ficar no berço da família como que acorrentados ao compromisso de cuidados eternos confusos diante da necessidade de serem cuidados.


Para algumas famílias a compreensão de se constituir novas famílias podem se tornar complexas e ameaçadoras, por conta de valores de culturas adversas sobre formas diferentes de visão de vida, sobre a permissão de ampliar e construir pontes de relacionamentos fora a família que constituiu. Observa-se através do contexto de história de várias pessoas de origens diferentes, terem como pensamentos, proteger os seus dos que não fazem parte de sua prole, como se aceitar alguém de fora, que não sejam os de sua linhagem não fosse natural, pudesse ser ameaçador, medo da perda de sua ninhagem, de sua essência, de sua preservação, onde mudar a postura de seus valores de

família de origem requer um esforço de mudanças de padrões que não conseguem praticar, por lealdade à sua ancestralidade, incluir alguém de fora representasse alterar esse contexto educativo.


Observamos repetições de padrões de relacionamentos em histórias de famílias, com dificuldades de comunicação e ou coibição de expressão dos desejos, de anseios, carentes de um suposto e desejado apoio de pais, de famílias diferentes ou mais fortalecidas, e que dentro de suas histórias de ancestralidade familiar souberam acolher seus filhos com os princípios de sua cultura, o que requer uma melhor compreensão dos fatos para conduzir a construção de uma nova família. Lembrar que seus pais vivenciaram em suas famílias de origem situações conflitantes entre irmãos, sentimentos de ciúmes e inveja que não souberam lidar, surgindo brigas, rompimentos, exclusão, doenças, desafetos, perda do significado do amor e da atenção, reverberando em sensações de raiva, ofensas, cobranças da falta, consequentemente dando espaço para o sentimento do ódio, da expulsão, da exclusão, da individualização, de um olhar para a repetição de atitudes familiares, por lealdade a esta consciência distorcida de convivência.


Talvez devamos nos perguntar o que nesse movimento pode estar sendo representado? O que pode “estar faltando”?

O que precisamos enxergar, ver, incluir?

Ao ouvirmos queixas infinitas, pode-se até mesmo orientar para um entendimento do: “Aceita que doe menos”, “Espera que não tive tempo” também tenho vida para cuidar, contas e dividas para pagar”, outra frase “Aprenda a dividir e dar acolhimento à pessoas que não conhece”; “os filhos casam como todas as pessoas casam como você casou, se relacionam, necessitam de companheirismo”, “Desapega, não tem caminhão de mudança para onde vamos”, enfim o quanto forem surgindo frases que possamos repetir quantas vezes for necessário e possibilitar ajudar para aliviar pensamentos rígidos que faz adoecer, estaremos em uma tentativa desafiante para reflexões no aprendizado do relaxar para o alívio, e quiça praticar o desapego, o que pode não ser o suficiente para olhar o que

tem por trás dessas máscaras as quais nos faz ficar engessados no sofrimento.


Algumas pessoas, repentinamente, tem que aprender a ficar sozinha, quer seja em um estado de viuvez ou de separação, podendo levar a um repertório de falas do tipo “Está Faltando” como forma de solicitar a presença de alguém que se foi, como forma de pedir que preenchem esse vazio. Esse comportamento pode também surgir na 3ª

Idade se estiver nessa fase sentindo-se doentes e senis, pois nesse momento pode estar faltando a energia vital do corpo na vida.


Essa falta pode ser revelada em pedidos de compras de mercado, farmácia ou de objetos para casa ou para si, levar ao médico por estar mal, e até mesmo a guarda de objetos que tenham uma representação simbólica dentro de sua história de vida, ou por medo de este objeto ser necessário mais a frente e não ter condições de novas aquisições por

estar em situação de vulnerabilidade. Por mais que exista o empenho em atender essas necessidades básicas, o vazio ainda permanece, não sendo o suficiente o estado de presença de apenas um filho ou neto, trabalho ou viagens.


Estar presente de corpo e alma/espírito, no quesito de dar atenção, sermos bons ouvintes, acolher com um toque de olhar ou de repreensão, compras de pãozinho, leite, medicamentos, mobiliários, eletrodomésticos, calçados/palmilhas, acompanhar em médicos, enfim..., mas isso pode ser insuficiente, quando observamos o ressoar da frase “Está Faltando”.


Existem pessoas que por longo período apresentam comportamento rancoroso diante de suas lembranças de história e existência, sentindo-se na solidão com o assombro de seus fantasmas, diante da injustiça que considera, o que as levam a desenvolver doenças somáticas, o que conduz a necessitar de cuidados médicos e a constante “Atenção dos Filhos” para atender esse possível Vazio, com o pedido dos préstimos de atenção para os cuidados básicos e proporcionar-lhes o alívio de suas dores físicas advindas de fundo emocional.


Refletindo sobre “o estar faltando”, pode ser entendido como sendo uma mulher-mãe de dois, três ou mais filhos, mas que recebe atenção apenas de um, e essa ausência dos outros filhos pode levar “a esse sentimento da falta” por ausência desses filhos ou até mesmo netos”. O Desejo inconsciente ou consciente de que estes filhos também sejam e estejam “participativos de livre e espontânea vontade”, sem que esta mãe precise dizer a estes filhos, venham me ver, me ouvir simplesmente, ficar um pouco de tempo comigo, trazer alegria com sua presença, me fazer rir, que perguntem “Como você está, precisa de algo, quer que lhe traga alguma coisa”, deixa eu te repreender para me sentir útil no papel da responsabilidade da educação, me ouça pois já vivi o bastante para repassar o que aprendi, necessidades esta de qualquer ser humano para sua sobrevivência, “todos precisamos Receber e Dar Atenção e do Experimentar o Sentimento de Utilidade como sendo um ser Produtivo”, quiça as pessoas em condições limitantes que requer acolhimento diferenciado, quer seja por condições fisiológicas ou por um emocional afetado ao longo de sua existência, por seu histórico de vida.


Estar em estado de alerta para o futuro de todos, e que nesse presente temos que abarcar a Existência da Maternidade/Paternidade, onde homens e mulheres podem desenvolver comportamentos diante de suas experiências de histórias de famílias, onde contextos de opressões os tornam pais e mães insuficientes para seus filhos, e estes por consequências históricas se não houver a compreensão da dinâmica familiar e contexto emocional

ora afetado podem se afastar de suas origens como forma de proteção de possíveis negatividades, por medo de serem contagiados por uma história de famílias tristes, buscando estar longe para não pertencer a tais conflitos, o que torna trabalhoso acompanhar de perto, embora oneroso ao reviver em suas vidas as mesmas histórias de seus pais.


Filhos e Filhas idealizam Mães e Pais assim como Mães e Pais idealizam Filhos e Filhas, Pessoas idealizam Relacionamentos, Profissões, Empresas, Tralhamos, Chefes... Aprender a cuidar do processo evolutivo de um bebê, uma criança, um adolescente, um ser adulto, um ser idoso, a construir uma Família, Ser e Estar nesse contexto Comunitário Relacional é um desafio constante, que requer intenso aprendizado racional, de ouvir com o coração, de

afeto, de amor, de atenção, e principalmente de compreensão dos conflitos dessa ancestralidade familiar, observar as adversidades de comportamentos que se repetem, quer seja de “Repetição da Exclusão”, Confusão no Contexto Hierárquico, Sentir-se Pertencente a essa Trilho Familiar, Estar inteiro para Dar e Receber dentro de um Equilíbrio de Troca.


Relevante dimensionar aqui sobre o dar e receber, que podemos oferecer a ajuda ao outro e respeitar o momento em que este outro permitida receber a ajuda, dando abertura para a troca quando houver essa disponibilidade dentro do que se estabeleça entre as partes para possibilitar a harmonização e a compensação desse equilíbrio de troca.


Então fica aqui uma pergunta de reflexão: “Será que diante da necessidade de nos sentir incluídos, de pertencer a um espaço, a uma família, e ganhar visibilidade e reconhecimento, da necessidade de sentir utilidade na vida, de estar com e por quem temos consideração, precisamos praticar a exclusão de nós mesmos ou de alguém, precisamos reivindicar nossos direitos de herdeiros para atender uma busca pelo vazio, pela falta? E onde, como e quando podemos reconhecer nossas obrigações, nossa coparticipação, nossa colaboração em compartilhar na vida ou na existência do outro? ” “Qual é a parte que me cabe?"

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